MPF diz que escritório de Helena Witzel recebeu R$ 554 mil suspeitos

Investigação aponta ainda pagamentos suspeitos para a conta do governador do Rio, Wilson Witzel, em conta na qual sua esposa é dependente

O Ministério Público Federal (MPF) aponta que o escritório de advocacia da primeira-dama do Rio de Janeiro, Helena Witzel, recebeu entre agosto de 2019 e maio deste ano R$ 554,2 mil de quatro empresas de saúde “que são ligadas a membros da organização criminosa. Segundo denúncia, o escritório “foi utilizado para receber dinheiro oriundo de corrupção e lavar ativos provenientes da organização criminosa”.

Conforme o MPF, os pagamentos foram feitos pelo Hospital Jardim Amália, que seria de propriedade de Gothardo Lopes Netto, ex-prefeito de Volta Redonda e um dos denunciados; DPAD Serviços Diagnósticos e Cootrab Cooperativa Central de Trabalho, que seria de propriedade do empresário Mário Peixoto, “por meio de interpostas pessoas”; e, também, pela Quali Clínicas Gestão e Serviços de Saúde, de João Marcos Borges, ex-subsecretário Executivo de Educação e também denunciado no caso.

A documentação foi encontrada na casa de outros dois denunciados, Lucas Tristão do Carmo, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, e Alessandro de Araújo Duarte, operador financeiro de Mário Peixoto, segundo investigação.

Além disso, conforme MPF, por meio da quebra de sigilo bancária foi possível detectar que o governador Wilson Witzel, cujo afastamento por 180 dias foi determinada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), recebeu R$ 74 mil do escritório de advocacia de Helena. Pelo menos dois desses pagamentos, segundo investigadores, chamaram atenção e são considerados suspeitos “em razão dos pagamentos para o governador se darem em datas próximas ou no mesmo dia”.

Foi o caso do pagamento de R$ 15 mil da Quali para o escritório de Helena em outubro do ano passado e, dois dias depois, o escritório repassou a mesma quantidade à conta pessoal de Witzel no mesmo dia, conta que consta a sua esposa como dependente. Em outra ocasião, o escritório recebeu o mesmo valor da Cootrab e repassou para a conta de Witzel.

Email

O MPF encontrou e-mails enviados por Witzel a sua esposa em março deste ano com minuta de contrato de honorários com o hospital Jardim Amália o que, para os investigadores, demonstram que o governador “pessoalmente participou de sua tratativa”. Segundo investigação, analisando o processo para o qual a primeira-dama foi contratada e recebeu R$ 280 mil, “nota-se que a denunciada não praticou qualquer ato, tendo apenas feito a juntada de procuração, em 07 de abril de 2020”.

Assim, conforme investigadores, o conjunto de provas demonstra que ocorreram os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, “que foram concretizados por meio da celebração do contrato de prestação de serviços advocatícios pelo escritório” de Helena. “O governador não só participou da confecção dos contratos de fachada, como também praticou, no mínimo, dois atos de ofício em benefício de Gothardo Lopes Netto”, pontuou denúncia.

Mais cedo, em pronunciamento, o governador questionou as acusações de que o escritório da primeira-dama é usado para lavagem de dinheiro. “Para haver lavagem de dinheiro tem que ter vantagem ilícita. Qual foi o ato ilícito que eu pratiquei? Estão criminalizando a advocacia”, afirmou. Ao ser questionado sobre depósitos feitos pelo escritório de Helena Witzel em sua conta, ele respondeu rapidamente justificando: “Somos casados”.

Fonte: Correio Braziliense.



Categorias:Home, Justiça

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